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Projeto Ijé Ófè reúne juventude quilombola em encontro interestadual

Postado em 17/06/2015 as 20:30:47

Por Jorge Anderson, Andrey Ribeiro e Élida Galvão


Entre os dias 04 e 06 de junho, cerca de cem pessoas vindas de diversas comunidades quilombolas localizadas nos estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Amapá, estiveram em Belém para participar do I Encontro Interestadual dos/das Jovens Lideranças Quilombolas da Amazônia Oriental, que conclui a experiência projeto Ijé Òfé, promovido pelo Fórum da Amazônia Oriental (FAOR).

Realizado em um período de quatro anos, o projeto atuou no fortalecimento das comunidades quilombolas a partir do protagonismo juvenil, capacitando jovens entre 18 a 26 anos para garantia da preservação da biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais.

Como resultado do projeto, o encontro teve como objetivo socializar as experiências vivenciadas durante o período de ação e mensurar o desempenho obtido na identidade e na qualidade de vida destes/as jovens, enquanto agentes de transformação social na comunidade quilombola em que habitam.

Além disso, o encontro serviu como intercâmbio de conhecimento entre os jovens de diferentes localidades e possibilitou a ampliação do diálogo sobre avanços e retrocessos das políticas públicas voltadas às juventudes negras, sobre a redução da maioridade penal e sobre a luta por direitos humanos, Justiça Ambiental na Amazônia e Agroecologia.    

Participante do projeto e integrante da Rede Encrespa, no Tocantins, a jovem Ana Cláudia disse que se sentiu bastante estimulada com os debates das rodas de diálogo. “Foram muito contundentes no sentido de que mostrou a nossa realidade, o quanto precisamos avançar em políticas públicas e precisamos nos entender, nos aceitar e nos reconhecer em nossa história, para que possamos combater esse racismo e para nos fortalecer enquanto juventude quilombola. O projeto Ifé Ófè é um fruto de esclarecimento. Eu sou esse fruto e quero me entender e enfrentar o contexto em que estou”.

Com grandes expectativas para ver a interação entre os/as jovens dos quatro estados, Ana Reis, uma das coordenadoras do Projeto no estado do Maranhão, falou sobre os desafios de se combater a violência às comunidades quilombolas e sobre o trabalho de liderança dos/as jovens.

De acordo com ela, no lugar em que atua “o projeto conta com a participação de 20 jovens nas comunidades. A ideia é que assumam o trabalho e que ocorra a permanência desses jovens nos quilombos. O projeto Ijé Ófé hoje se tornou uma família em que os estados estão em busca de um mesmo objetivo, que é de promover a formação e a transformação dessa juventude. A continuação do projeto é importantíssima para que possamos dar continuidade às ações com esses mesmos jovens e abrir espaços para que mais jovens tenham essa oportunidade”, afirma Ana Reis.

Outro jovem do Maranhão, Saulo, também expressou sua opinião com base nos debates das rodas de conversa. “Enquanto jovem quilombola meu sentimento foi de repudio porque ainda se tem a necessidade de se discutir esses temas, que de certa forma afligem muita gente. Ainda é uma parcela muito grande da sociedade que não conhece sobre os temas que foram abordados no encontrão. Ou se sabem, ainda são racistas por exemplo”, disse o rapaz.

Projeto

O Projeto Ijé Ófè, cuja denominação significa “raça livre”, atua na capacitação de jovens e lideranças de comunidades quilombolas dos quatro estados que compõem a Amazônia Oriental (Pará, Maranhão, Tocantins e Amapá). Realizado entre os anos de 2011 a 2014, o projeto promoveu esta capacitação por meio de oficinas voltadas para sustentabilidade destas comunidades, entre elas: oficina de identidade quilombola e direito à terra; oficina de biodiversidade e conhecimentos tradicionais; oficina de produção sustentável; oficina de elaboração de miniprojetos comunitários; oficina de controle social das políticas públicas.

Para a realização do projeto, o FAOR contou com o apoio da Ação Mundo Solidário (ASW) e com a parceria de diversas entidades nos quatro estados de atuação, como: Instituto Universidade Popular (Unipop), Coordenação Interestadual das Comunidades Remanescentes de Quilombos (Malungu), Centro de Estudo e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), Instituto das Mulheres Negras do Amapá (Imena), Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Aconeruq), Fórum Carajás, Alternativas para Pequenos Agricultores (APA-TO), Rede Mocambos, Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA).

O Encontro contou ainda com a participação de jovens integrantes do projeto Jovens Comunicadores da Amazônia, realizado pela Unipop, que contribuíram na cobertura colaborativa do evento.

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Fonte: Unipop