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Jovens Comunicadores

Postado em 19/12/2014 as 17:38:20

Por Débora Ribeiro, Diego Teófilo e Márcio Silva


Na manhã do dia 24 de janeiro, adolescentes e jovens participantes do Projeto Jovens Comunicadores da Amazônia, promovido pelo Instituto Universidade Popular (Unipop) com o apoio do Instituto Oi Futuro, visitaram o bairro da Terra Firme, em Belém, com o objetivo de identificar os serviços existentes oferecidos à população.

A partir do contato com a realidade social, os/as jovens tiveram a oportunidade de exercitar uma compreensão da comunidade enquanto espaço democrático, onde os atores sociais, que dela participam ativamente, tomam decisões voltadas aos seus lugares.

A ação faz parte do módulo de Leitura Comunitária, momento em que os sujeitos são convidados a reconhecer seus ambientes geográficos, a partir de outro olhar contextualizado sobre aquele lugar, para além do que é pautado pela mídia tradicional. A turma contou ainda com a colaboração do membro fundador do Coletivo Tela Firme, Francisco Batista, geógrafo e morador do bairro, que acompanhou e orientou o grupo durante todo percurso da a leitura da comunidade.

A caminhada aconteceu de norte a sul da Terra Firme. No decorrer do trajeto foi possível identificar a história de luta, conquistas, sonhos e resistência da população. Pontos importantes foram destacados, como o Centro Comunitário D. Jesus, que funciona como um espaço de formação e organização dos moradores. Outra evidência nesta visita foi a Praça Tenente Souza, a única existente no bairro. De acordo com os relatos de moradores, foi alí que a história do bairro começo.

Ampliando os olhares do grupo, a caminhada se estendeu até a igreja católica São Domingo de Gusmão, importante espaço na luta por direitos; depois seguiu para o mercado municipal, onde se concentram centenas de pessoas em busca de sobrevivência, como também de qualidade de vida e sustentabilidade. Um momento marcante foi quando o grupo se posicionou em frente ao local onde o adolescente Eduardo Chaves foi executado na chacina ocorrida em novembro passado.

De acordo com Keila Sanches, moradora do bairro que também participou da caminhada, a atividade foi importante tanto para a vida pessoal quanto profissional, já que é pedagoga. “Sou moradora do bairro e fique muito feliz quando fiquei sabendo da visita dos mesmos a Terra Firme. Conversando com alguns jovens pude perceber que a grande maioria não conhecia o bairro e que só conheciam o local pelos pontos negativos principalmente pelo oque a mídia mostra”.

A complexidade da comunidade é bastante evidente, sobretudo onde o processo de ocupação é mais recente. “Eu vi a Terra Firme como duas, no mínimo. Era como se tivesse uma parte melhor que a outra. A primeira parte que seria a zona norte, a mais antiga, possui mais infraestrutura, ruas asfaltadas, unidade de saúde. A segunda na zona sul do bairro, falta saneamento básico, unidades de saúde, faltam praças e outras coisas”, observou a jovem Ana Carla Oliveira, de 26 anos.

De acordo com jovens e adolescentes, durante todo percurso foi possível identificar como o bairro da Terra Firme é rico culturalmente, mas que ao mesmo tempo padece com problemas nas áreas da saúde, educação, segurança pública, tratamento de água, saneamento básico e esgoto. Muitas famílias sobrevivem em pequenas palafitas, que no olhar dos peregrinos representa um quadro de vulnerabilidade que compromete a qualidade de vida dos sujeitos.

Para Débora Ribeiro, educadora social da Unipop, em meio a tantos problemas e dilemas que o bairro convive foi possível perceber a alegria e a esperança das pessoas que vivem na periferia. “No percurso pelas ruas nos deparamos com momentos de grande alegria, eram jovens que haviam sido aprovados no vestibular da UFPA, e entre os muitos que celebravam um deles chamou atenção. Um rapaz de 30 anos, Ernani dos Santos, morador do bairro, foi aprovado no curso de Tecnologia de Geoprocessamentos. Ele é um jovem cadeirante, estava com um sorriso estampado no rosto e olhar marejado de alegria, celebrando sua vitória. Foi como um alimento pra alma e para o fazer profissional, fazendo valer a pena todo esforço e dedicação. Foi uma imagem linda, símbolo de luta conquista, que concluiu de forma significativa a atividade de leitura comunitária, resignificando nosso olhar sobre bairro”, disse.


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Fonte: Unipop